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Sexta-feira, 26 de Novembro de 2010

Papões

Eu não percebo nada de economia mas tenho de deixar isto aqui escrito para talvez posteriormente possa voltar a tentar perceber esta situação....

O País(Portugal, não vá eu ler isto muito mais tarde e sofrer de alzheimer ou tiver emigrado) antes de 2007 vinha já mergulhado numa crise de deficit público, em vésperas de eleições aumentou-se a função publica, baixaram o IVA para 20%.... Com estas artimanhas e outras ganham as eleições, passado um ano com a Europa e os EUA mergulhados na chamada "crise do subprime" ainda nós não nos tínhamos levantado da nossa crise doméstica, já levávamos com taxas de juros de 4,5%(Euribor) e com a crise financeira Mundial a coincidir com trapalhadas no caso BPN e BPP, mas Sócrates argumentava que tudo estava bem, estávamos a atravessar um mau bocado por causa da conjuntura económica Mundial, e nós claro assobiando e andando, anunciam-se TGV e mais outras obras faraónicas como se num País cheio de pujança económica estivéssemos, em Março de 2010 o primeiro PEC ( manual de bom comportamento financeiro), para tentar com que as receitas cubram as despesas públicas,(coisa para os nossos governos ao nível de uma ficção de Spilberg no seu melhor), resultado da crescente dívida pública é óbvio, como não possuímossuficiente para nos governar temos de o ir buscar a algum lado, endividamo-nos á banca europeia no principio, mais tarde só o BCE nos emprestou sempre desconfiando da nossa execução orçamental já com PEC II, posteriormente temos de aprovar um orçamento dramático para todos, com cortes a todos os níveis, o governo anuncia que se este orçamento não for aprovado caímos numa crise politica e que aí ninguém nos salvará do papão FMI e todos os que votaram contra este orçamento ficariam na história como os culpados da crise que viria, o governo com aval do PSD aprova o orçamento sob ameaças do ministro das finanças de que se não for aprovado as taxas de juro da dívida(valor ao qual o estado compra €) sobem aos 7‰ e aí o FMI será "obrigado" a intervir(pequeno parêntesis...o FMI empresta € a uma taxa de 3%...portanto não entendo por que não utilizar), esta taxa de 7‰ é calculada pelos papões "mercados financeiros" coisa que nós Portugueses ficámos a conhecer e a temer desde então, eles são uma espécie de "Máfia" que controla os valores aos quais os Países se endividam.... Estranho então para isso devia era haver eleições para "esses" mercados visto que são mais importantes que o nosso governo, a coisa funciona mais ao menos assim: Um País entra em deficit público recorrente(nosso caso), deixa de ter € para cobrir as suas próprias despesas vais-se financiar junto do mercado financeiro emitindo dívida publica, ou seja eu devo € ao homem do talho, vou ao banco pedir para lhe pagar, ficando a dever ao banco mais que o que devia ao talho mas tenho de o fazer senão não como, então esse banco como acha que por intermédio das agências de rating nós dificilmente iremos pagar, emprestam-nos a um juro ainda mais elevado (para ver se nos enterramos de vez).

Com isto tudo a Irlanda, país que foi o primeiro a adoptar medidas de austeridade e bem fortes, ontem esteve a negociar com o Banco Central e o FMI para a entrada deste, nós ou muito me engano para lá caminhamos a fortes passadas.

Agora isto tudo merece uma reflexão mais alargada, claro que nós Portugal temos mais do que responsabilidade sobre tudo o que estamos e iremos atravessar durante muitos anos, mas toda esta organização financeira mundial que se serve dos Países "aflitos" como um abutre se serve de uma carcaça animal, tem de ser repensada, porque assim os ditos "mercados" conseguem arruinar qualquer País que entre em déficit, isto não é uma politica de cooperação nem forma de fomentar uma organização como a UE, tudo isto é forma para conseguir cimentar desiquilibrios abissais e mesmo subserviais entre estados da mesma União.

O poder financeiro e o grande capital não pode de forma alguma dominar o poder político sob pena de as populações dos estados menos fortes economicamente se tornarem escravos dependentes dos chamados Mercados Financeiros.

Tenho uma certa saudade do escudo... era fraquinho mas era nosso!

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